Por: Luana França
Posted by Thays França | | Posted on 09:02
Entrevistada: Maria Aparecida Soares de França (Mãe)57 anos
Superior completo
Entrevistadora: Luana França de Brito
Segue os relatos que achei interessantes sobre a entrevistada, contadas por ela mesma numa narrativa:
por João Goulart.Em 64 ocorre o golpe militar, sob pretexto das supostas tendências comunistas de Jango.A ditadura durou 21 anos, pelo que me lembro foi o pior período da história nacional; estudantes presos, quem ficasse na rua até certa hora sem documento de identificação era preso por vadiagem, inocentes sob tortura...Enfim, ouso a dizer que foram tempos de trevas.Contudo, foi na ditadura militar que o Brasil viveu seu chamado milagre econômico, no ápice da ditadura, no governo de Médici. Lembro-me quando o rádio foi substituído pela televisão, porém o rádio ainda era o meio de comunicação de massa, pois a TV custava caro e era objeto de luxo.Em 67/68 os festivais de canção no Brasil tornaram-se freqüentes, era uma forma de extravasar toda pressão imposta sobre a população, porém tinha um foco político-ideológico da juventude também, em repressão a ditadura militar.
Em 1973 instaurou-se a crise do petróleo, quando a OPEP triplicou o preço do barril de petróleo, fazendo o mundo inteiro se abalar, particularmente os Estados Unidos, que entraram em recessão.O Brasil, ainda com impulso do milagre econômico, postergou os efeitos desta primeira crise do petróleo utilizando reservas cambiais e, em seguida, empréstimos internacionais para equilibrar sua deficitária balança comercial. Porém o milagre econômico começou a entrar em declínio.Com a segunda crise do petróleo, o Brasil teve sua inflação gradualmente acelerada, por conta dos seguidos aumentos dos preços dos combustíveis no mercado interno, não se sabia até quando os preços no mercado durariam, pessoas iam ao mercado e compravam em estoque, porque no dia seguinte o preço poderia estar absurdo.O milagre econômico então encerrou-se.
No ano de 1980, no Brasil, foi fundado o PT (Partido dos trabalhadores), Oscar Niemeyer criou o Memorial Juscelino Kubitsheck, a biblioteca de aproximadamente 3 mil volumes e o acervo de fotos, medalhas e documentos ajudam a contar a história do Brasil.
Na minha época, os alunos respeitavam mais a instituição de ensino, os professores e davam mais valor ao que era passado pelo seu educador.Eram obedientes às regras impostas.Os professores, defendiam a causa de ensinar, cobravam e eram rígidos.Em época de prova ia para biblioteca do colégio ou numa pública e para fazer trabalho também porque haviam livros que eu não tinha em casa. não existia prova de recuperação e sim segunda época.Caso o aluno não alcançasse a média que era de cinco pontos, estava em segunda época, não passando era reprovado.Toda segunda-feira antes da aula era cantado o hino nacional.O espaço físico do colégio era amplo, com pátio para as crianças socializarem na hora do intervalo, com quadra para prática de esporte, piscina.
Lembro-me que mantinha uma boa relação com meus colegas de turma, uns freqüentavam a casa dos outros, mas eu não podia pois minha mãe não permitia, minha mãe era muito rígida.Certa vez, quando cursava o segundo ano do ginásio uma colega de turma me influenciou a matar aula para namorar, após o intervalo.Não contei com a sorte pois o professor que daria a aula não compareceu ao colégio, com isso a turma foi liberada mais cedo, e como não estávamos lá nosso material foi recolhido pelo inspetor e levado até o chefe de disciplina, o material só seria entregue mediante a presença dos responsáveis.No mesmo dia fui à casa de uma outra colega de turma e pedi para que ela me emprestasse seu material, para que não chegasse em casa de mãos vazias pois tinha muito medo da reação de minha mãe.Consegui enrolá-la por três dias, no quarto dia minha mãe achou estranho, pois havia dito que uma colega havia levado pra casa minha mochila, pois achou bonita e levou para que a mãe comprasse uma igual; ela me levou ao colégio neste dia, pelo caminho rezava para que não chegássemos ao colégio, coisas do tipo: o ônibus não passar, não chegar e até mesmo virar no caminho, mas não teve jeito, chegando ao colégio ela descobriu tudo e disse que em casa conversaríamos, eu já sabia que não seria uma conversa agradável.Chegando em casa levei uma surra, que me fez nunca mais pensar em matar qualquer aula, por qualquer motivo que fosse.Hoje acho graça da história.
Na época em que fiz vestibular, prestei para medicina, porém não alcancei pontos suficientes para ingressar numa universidade pública, por muito pouco.Não passei porque um dia antes saí para me divertir, achando que chegaria cedo em casa, porém cheguei pela manhã e fui direto fazer a prova, conclusão: dormi durante a prova de francês, justamente o que não me deixou passar.
A comunicação entre pais e escola era através de reunião de pais, havendo algum problema disciplinar ou queda de rendimento os pais eram chamados ao colégio para que fosse averiguado o motivo.Eu encarava a escola como um fator extremamente importante na minha vida, pois era legal, sabia que era um grande passo que estava dando para garantir meu futuro, meus pais; principalmente minha mãe sempre me passaram a idéia que a maior herança que se pode deixar à alguém é a educação pois esta não se vende e não se perde; e o mais engraçado disso tudo é que minha mãe não sabia nem escrever seu nome, mas sabia da importância que a escola tinha, e tem até hoje.

Sei que hoje em dia tudo é facilitado pelo acesso à internet, para pesquisas, trabalhos e etc; isso para algumas pessoas é visto como acomodação.No meu modo de ver, concordo que a internet é um meio de comunicação muito bom, mas realmente acomodou muito os alunos, pois acho melhor a pesquisa em que você vai até a biblioteca procurar o livro, pesquisar o tema, ver qual é o autor, se interessar procurar por mais livros do mesmo, enfim, isso sim é aprendizado, melhor que simplesmente digitar a palavra chave num site de busca e fazer o famoso Ctrl + C/ Ctrl + V sem nem ao menos ler e ver se é o que realmente foi pedido na pesquisa.

Tendo acesso às histórias da entrevistada, no modelo de educação que era usado na época, pude concluir que no meu período escolar a visão dos alunos era completamente diferente, o que importava era passar de ano e não aprender.Tudo era facilitado pela aproximação entre professores e alunos, não havia o medo de chegar até eles e pedir uma "ajudinha" na nota.Descontração na sala de aula era tolerável.A média do colégio onde estudei era seis, era tirada da nota da prova mais a nota do teste e dividia-se por dois, quando havia trabalho, dividia-se por três.
Legenda das fotos, respectivamente:
-Foto no primário da entrevistada
-Foto da entrevistada, quando estudava no colégio Pedro II
-Quadro do primeiro ano escolar da entrevistada
-Carteirinha da universidade Gama Filho da entrevistada
-Diploma da universidade Gama Filho da entrevistada
-Turma da 8ª série da entrevistadora numa ida à Fiocruz
-Último ano do Ensino Médio da entrevistadora



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