Por: Taís Souto

Posted by Thays França | | Posted on 12:51

Entrevistada: Minha tia Cássia Dias Rosas Jaques.
Entrevistadora: Tais Souto.

A época em que se passou a fase escolar da pessoa entrevistada:
Primário : 1965 até 1968, começou o primário com 7 anos, que era dividido em 6 níveis e 5 anos, e minha entrevistada pulou dois anos porque era adiantada. Estudou no Colégio Estadual Gomes Freire de Andrade,localizado na Penha.

Ginásio : 1969 até 1972, para entrar para o ginásio tinha que fazer o concurso de admissão, se não ficava só com a formação primária, isso vai se comparando com o ensino de hoje em dia, porque antigamente se visava mais à informação do que a formação. Estudou também no Colégio Estadual Gomes Freire de Andrade.

Normal : 1972 até 1975 mais uma vez se fazia a prova , pois a minha entrevistada escolheu o normal, porque tinha o científico e escola técnica como escolha. Estudou Escola Normal Heitor Lira,localizado na Penha.
Antigamente eram só 3 anos de normal, e eram divididos assim:

1° ano : estágio com observação em sala de aula
2º ano : estágio com experiência em turma, podendo dar algumas aulas.
3º ano : responsabilidade de uma turma juntamente com o professor.

Antes de 1973 a formalista tinha o nome de professoranda, assumia turma ganhando, contando com o tempo de trabalho para a aposentadoria.
E o vestibular era pela Cesgranrio, onde eram faculdades particulares e públicas, na mesma disputa.

Na época de 1965 até 1975 o período em que esteve na na escola, foi um período de ditadura militar, que só acabou em 1985.
Em 1968 ano de muitas movimentações e muitos acontecimentos importantes, muitas manifestações estudantis contra a Guerra do Vietnã e os regimes autoritários vigentes em vários países do mundo. E o que mais marcou foi o AI-5(Ato Institucional) pelo presidente Costa e Silva.


Os educandos tinham o ensino voltado para a valorização do conteúdo, sempre cobrando uma disciplina arcaica, por exemplo quando recebia visitas na sala de aula os alunos tinha que se levantar, isso era uma demonstração de respeito isso do primário ao ginásio. E também a valorização da pátria, o hino (proclamação da república,da bandeira e o nacional) era cobrado diariamente, que era estudado as letras dos hinos, partitura e canto, e alguns alunos levando o diapasão (aparelho que ajudava os alunos a chegarem ao tom do hino).Os alunos tinham muito orgulho de marchar, era como um dia festa.

As escolas eram muito espaçosas, limpas, arborizadas e higienizadas, os professores eram autoritários, o ensino era só de quadro e giz, apenas a professora era ativa, o aluno só escutava, pois ficava receoso em tirar alguma dúvida com o professor, já que eram tão rudes.
A freqüência era muito cobrada, que entrava como um dos pesos de avaliação do aluno, era tão cobrado que havia cobrança do primário até o científico.

O uniforme:
Primário: meninas saias de prega
Ginásio: meninas saia de macho
Normal: saia de prega , ou seja , eram muito mais formais, e isso tudo visando o emblema da escola.

O lema da escola era : “Quem amava a instituição forçosamente tinha de amar o uniforme que a simbolizava.”

A perspectiva da minha entrevistada era de chegar ao mestrado, que cursou a graduação de Pedagogia na Universidade Federal Fluminense (UFF), e também chegou a cursas algumas disciplinas de pós-graduação, mas acabou trancando por problemas pessoais.

O comportamento da minha entrevistada em sala de aula no primário era de muita restrição e timidez, tudo sempre com muito respeito, sem livre arbítrio, não havia diálogo entre os alunos, já no ginásio houve um pouco mais de abertura.

O preconceito havia em relação à discriminação quanto ao desempenho do aluno, separando-os por conceitos (alto, médios e baixos), sempre quantativamente, se tivesse nota baixo antigamente era nulo.Davam aos alunos fitas (amarelas, verdes) e medalhas pra quem tinha maior desempenho, os melhores alunos ficavam como guardas mirins em frente à escola, lembrando que na faculdade os melhores alunos ficavam como monitores da turma.

Poucas brigas existiam por causa das medidas disciplinares da escola que eram a advertência, repreensão, suspensão e anulamento da matrícula (expulsão).

Na rede do ginásio existia o SOE (serviço de orientação educacional) que era total assistência pelos educadores educacionais formados em pedagogia aos pais e educandos, esse era o tipo de apoio aluno/escola.
Quando tinha um caso de dificuldade escolar entre aluno e professor, primeiramente os professores contavam com os funcionários da escola, inspetores, coordenadores e por último o orientador educacional (SOE).


Merenda:
Até os anos 80 os cardápios eram doces e alguns salgados, e algumas refeições tipo almoço. Dos anos 80 pra cá eram refeições suplementares (café da manhã, almoço e lanche).

Escolas públicas: tinham um médico por escola, e um consultório dentário.

O que eu pude perceber com esse trabalho e poder comparar com a minha escolaridade foram que muitas coisas evoluíram, talvez para nós jovens hoje em dia para melhor. Hoje o aluno está mais integrado na sala de aula, podendo debater com o professor, expor suas opiniões, sem ter medo de fazer perguntas, mas o que vejo que atrapalhou muito essa integração do aluno com o professor, foi que o professor acaba perdendo a sua autoridade, e que eu aluna acho certo, que o professor pode sim ser tratado como amigo, mas fora de sala de aula, e com toda essa liberdade de aluno e professor, alguns valores de respeito e valorização não se tem mais com os professores, já que eles são uma autoridade pros alunos.
Vendo todo esse contraste da época, o uniforme por mais que alguns alunos hoje em dia reclamem, deveriam ser permanecidos e respeitados. Hoje você vê muitas escolas com alunos podendo entrar de calça jeans, e até mesmo as meninas de short, como na escola que eu estudei,era permitido, mas a parte de baixo não podia ser branca, acho que o aluno acaba esquecendo que está em uma escola, e acaba abusando de certas roupas, mas na outra escola que eu estudei que era católica, quem viesse sem o uniforme, não entrava na escola, e quando entrava levava uma advertência pra casa.
Nas escolas ainda existem muitas brigas dentro da sala de aula, acredito que por motivos diferentes, já que antigamente havia disputa por medalhas por quem tinha maior desempenho. As brigas atuais são por motivos de quem é melhor do que o outro, em relação até o seu próprio material escolar, as roupas, os objetos, e até hoje continuam punindo muito, pelo menos é o que eu vejo das escolas que estudei, todas sempre foram muito rígidas, quando a briga era muito grave havia até expulsão.
As escolas eram muito preocupadas com o bem estar dos alunos, pelo menos foi o que eu percebi, haviam consultórios dentários, e um médico . Na minha segunda escola, por ano havia um dentista para fazer tratamento de flúor, mas com o passar dos anos, a escola não aderiu mais, e na minha última escola não havia nenhum tipo de consultório, só uma psicóloga disposta atender a qualquer momento os alunos, que queriam tirar dúvidas com ela em relação ao vestibular, e até mesmo outros problemas pessoais.
Uma das coisas mais interessantes em saber da escola de antigamente, foi que todo dia o hino nacional era cobrado, e das escolas que eu estudei, uma delas, tocava o hino uma vez por ano. Eu acho que isso estimula o aluno a estar mais interessado até nos acontecimentos do seu país, ter mais amor a sua pátria, e isso é muito bonito você está preservando e estimulando os alunos a esse amor ao país. E também o que me chamou atenção era a aula de civismo, onde o aluno estudava os objetivos de ordem, moral e disciplina, desde sempre você poderia saber argumentar sobre os seus próprios direitos, ou seja, isso criava dentro da pessoa um nacionalismo imenso, sempre fazendo com que o aluno fosse mais interessado.
Eu chego à conclusão que o autoritarismo e a liberdade são dois pontos fortes para uma escola ideal. O autoritarismo para que haja respeito ao professor e a liberdade para que o aluno possa estar mais livre dentro da sala de aula, interagindo de uma forma correta com o professor, mas claro sem ultrapassar os limites. Nada vai pra frente se não houver ordem, por isso muitas escolas estão indo pra trás, e o modelo de antigamente fazia com que o aluno mesmo que obrigado, achando chato estar na escola, estava lá de qualquer jeito, por isso acho interessante essa junção de autoritarismo e liberdade.
Legenda das fotos :
1º Parte de trás da carterinha da Universidade Federal Fluminense (UFF) da entrevistada.
2º Carterinha do Colégio Estadual Gomes Freire de Andrade.
3º Caderneta do Colégio Heitor Lira (Normal).
4º Caderneta do Colégio Heitor Lira (Normal) na parte de dentro com assinatura dos responsáveis.

Fontes de pesquisa : www.google.com.br
//pt.wikipedia.org/wiki/Site

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