Por: Daniela Palmeiro

Posted by Thays França | | Posted on 13:03

Entrevistada: Ignez Campos Cabral. Avó materna. Uma investigação.
Por: Daniela Palmeiro
1940 a 1942 – Jardim de Infância
1943 a 1947 – Escola Primária
1948 a 1951 – Ginásio
1952 a 1954 – Curso Normal

Durante o jardim o Brasil se encontrava na época do Estado Novo. Na época em que a entrevistada cursava a escola primária e seu curso do normal se passava no governo de Getúlio Vargas, no Ginásio – governo Eurico Gaspar Dutra.

A entrevistada me relatou que durante sua escolaridade os alunos eram de diversas camadas sociais, mas que, na escola, se igualavam pelo uniforme e livros (que no caso de alunos carentes, esses livros eram doados pela caixinha escolar que ocorria todos os anos onde pais doavam a quantia que pudesse ajudar, sendo assim não obrigatória a ajuda). Quando perguntada sobre o espaço físico do colégio em que estudava (Instituto de Educação) a entrevistada emocionada me contou que era uma escola bem ampla, salas grandes para 45 alunos, pé direito de 4 á 5 metros,jardins,piscina,biblioteca num prédio a parte, campo de esportes,ginásio coberto e um pátio interno. Os professores exigiam respeito (os alunos tinham que se referir aos professores com senhor, senhora), os alunos ficavam de pé desde a entrada do professor até ele mandar que se sentasse. Os professores homens usavam terno e gravata para dar aula. Eles eram muito rigorosos, a relação entre aluno e professor era muito pouca onde os professores mandavam e os alunos obedeciam, sem quase nenhuma hipótese de questionamentos da parte do aluno (só alguns professores deixavam que se fizessem interrupções para esclarecimentos).
As aulas eram teóricas, mas tinham também algumas aulas expositivas. Os livros didáticos eram de vocabulário difícil para a faixa etária das alunas. Como havia concurso de admissão no colégio, todas as alunas tinham em mente a formação para magistério, assim os exercícios passados eram apresentados na data certa.

As provas escritas eram no período de junho e novembro e as provas orais em dezembro que eram realizadas por todas as alunas, mesmo com média baixa. O nível de freqüência era com pouquíssimas faltas e geralmente por doenças (que era necessário levar o atestado médico). Estudava-se muito com o objetivo de se formarem profissionais (professoras) competentes.
A grande maioria cursava o curso de pedagogia ou outras licenciaturas, como a entrevistada que foi aluna da UERJ em pedagogia. Com vista a pós-graduação (como não havia mestrado em educação, na época no Brasil), a entrevistada se candidatou e foi aprovada na seleção de bolsistas da Fulbright, para estudar nos Estados Unidos. Como já era professora da prefeitura, só pôde ficar um ano letivo nos Estados Unidos, onde foi tempo insuficiente para o término do mestrado. De volta ao Brasil, anos mais tarde, completou os créditos de Mestrado em Educação na PUC / RJ.

Sobre o comportamento dos estudantes na época, a entrevistada conta que todos tinham muita disciplina, o que possibilitava terem aulas de canto onde cantavam até musicas de Villa Lobos, a quatro vozes.

Havia também competições de ginástica entre as escolas da região. Não havia quase brigas entre alunas e quando havia desvio de conduta como, por exemplo, uniforme com pequenos itens fora do padrão, a aluna era levada à chefe das inspetoras que resolvia o assunto. A entrevistada não presenciou nunca, alunas sendo postas para fora de sala de aula. O diretor era altamente considerado e as alunas não tinham diálogo com ele. O preconceito não era revelado porque as atitudes, uniformes, dedicação aos estudos, vocabulário do dia a dia era o mesmo, sem distinção em relação a pobres ou não.
A escola prestava grande assistência material e como havia um concurso rigoroso para entrar no curso ginasial, intelectualmente não havia grandes desníveis.
A comunicação entre pais e professores era nenhuma. Se a aluna tivesse grande necessidade de se ausentar mais cedo ou chegar mais tarde, os pais compareciam ao gabinete da inspetora chefe. O apoio do aluno família como foi relatado, havia um apoio financeiro e alimentar. As alunas necessitadas, só a direção identificava, as colegas não sabiam, não identificavam essas alunas carentes.

No caso de dificuldades os professores somente passavam e corrigiam mais e mais trabalhos, como exercícios, redações.
Comparando:
Observando o passado escolar da minha avó com o meu, pude tirar a conclusão que não tem grandes diferenças, pois como ela eu também estudei em uma escola pública onde tem grande nome e respeito perante a sociedade por ainda ter regras disciplinares como antigamente. No Colégio Pedro II estudei durante todo meu ensino fundamental e médio. Alguns pontos, no entanto são diferentes, como por exemplo, hoje em dia não existe mais o concurso de admissão, que na época da minha avó foi essencial para a entrada no colégio. Porém no Pedro II (que não foi o meu caso) ainda existem provas para estudar lá.

Como a minha avó eu também tive uma disciplina escolar bastante rigorosa, claro que não tanto quanto na época dela, pois hoje em dia o aluno tem o direito de questionar o professor e há mais comunicação aluno professor e escola família. O colégio onde estudei ainda tem os costumes na disciplina como exemplos, onde o aluno tem que se levantar para a chegada da direção do colégio dentro de sala de aula, só podendo o aluno sentar quando a direção permitir, o nível de freqüência não pode ser baixo, pois se não é reprovado, o uniforme tem que ser impecável e completo composto de emblema, caderneta, caso contrário não é permitido à entrada do aluno.

Tive oportunidade de dentro da escola por ser bem ampla onde tinham em torno de 30 alunos por turma e 3 turmas por turno, ter disciplinas como música onde aprendi a ler partituras e a tocar instrumentos como flauta doce,ter aula de Ed. Física, onde ocorria sempre campeonatos entre alunos,oportunidade de aprender novas línguas como o Espanhol, Inglês e Frances e aprender em aulas de filosofia e sociologia a ver a sociedade igual sem dentições ou preconceito pois a escola tinha pessoas de classe media boa e outras baixa, onde todos tinham o mesmo tratamento, como almoço dado pela escola,os livros didáticos adotados eram todos doados pelo MEC, uniformes doados a aqueles que não podiam comprar e aulas extras em turno trocado para todos que tinham dificuldades escolares onde eram dados exercícios como preparatório para as provas e aqueles que não foram bem na prova ainda tinha o “apoio” onde tinham mais aulas extras e a chance de fazer outra prova para recuperar a média para passar de ano que era 7.

O comportamento dos alunos na escola era muito parecido com a época da minha avó, pois como ela eu também tinha que ter disciplina, como postura em forma de sentido para cantar o hino da escola uma vez na semana, quando não tinha uma boa disciplina eram chamados os responsáveis e o aluno levava advertências onde cada aluno só poderia ganhar no Maximo 4 dependendo do grau da indisciplina.Cada aluno só poderia repetir a mesma série uma vez se não era mandado se retirar da escola (expulsão).

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